Uma travessia artística entre Portugal e Brasil, cruzando dança, música, memória e comunidade.
O Projeto Além Mar – Intercâmbio Lamego / João Pessoa foi uma iniciativa de cooperação cultural e artística desenvolvida no âmbito do TRanÇa – Arte em Comunidade, ligando Lamego, em Portugal, à cidade de João Pessoa, na Paraíba, Brasil. O projeto partiu de uma open call lançada no Teatro Ribeiro Conceição, aberta à comunidade, convocando participantes para um processo de criação que cruzou dança, música, performance, memória, identidade e encontro intercultural.
Após a seleção dos participantes, o projeto desenvolveu uma residência de criação entre outubro e novembro de 2025, em Lamego, culminando na deslocação do grupo TRanÇa a João Pessoa, entre 20 e 30 de novembro de 2025, com o apoio do Município de Lamego. No Brasil, o grupo participou em várias apresentações e momentos de trabalho artístico em parceria com o Coro Sinfónico da Paraíba, estabelecendo um diálogo entre práticas performativas portuguesas e brasileiras.
O intercâmbio teve continuidade em fevereiro de 2026, com a presença do Coro Sinfónico da Paraíba em Portugal, integrando o processo criativo associado ao aniversário do Teatro Ribeiro Conceição, apresentado publicamente a 23 de fevereiro de 2026. A DCTR – Associação Cultural teve um papel central na produção, coordenação artística e mediação do processo, no quadro do trabalho continuado do TRanÇa enquanto projeto de criação participativa, relação com o território e construção comunitária.
Porque existe este projeto?
O Projeto Além Mar nasce da vontade de criar uma ponte artística e humana entre dois territórios atravessados por histórias, expressões populares, memórias culturais e formas de celebração coletiva. Lamego e João Pessoa são contextos distintos, mas ambos revelam uma forte relação entre cultura, identidade, território, tradição e participação comunitária.
O projeto responde à necessidade de criar experiências artísticas que ultrapassem a lógica da apresentação pontual, investindo antes em processos de encontro, residência, escuta, criação partilhada e circulação cultural. Ao convocar a comunidade através de uma open call, o projeto reconhece os participantes não apenas como intérpretes, mas como portadores de memória, experiência e presença no processo artístico.
A relevância do intercâmbio está também na possibilidade de aprofundar a dimensão internacional do TRanÇa, projetando a sua metodologia para fora do território de origem e permitindo que a dança, a música e a performance funcionem como linguagens de mediação entre comunidades. O encontro com o Coro Sinfónico da Paraíba reforçou esta dimensão, criando um campo de diálogo entre corpo, voz, música, tradição e contemporaneidade.


Como funciona?
O projeto organizou-se em quatro momentos principais: convocatória pública, residência artística em Lamego, intercâmbio no Brasil e acolhimento do Coro Sinfónico da Paraíba em Portugal.
- Convocatória e seleção: lançamento de uma open call no Teatro Ribeiro Conceição, aberta à comunidade e a participantes com disponibilidade para integrar a residência e a viagem artística ao Brasil.
- Residência de criação: sessões de trabalho entre outubro e novembro de 2025, centradas no corpo, na voz, na música, na memória, na fotografia, na paisagem sonora e na construção de materiais performativos.
- Intercâmbio em João Pessoa: deslocação do grupo TRanÇa ao Brasil, com apresentações, ensaios, momentos de encontro cultural e trabalho em parceria com o Coro Sinfónico da Paraíba.
- Continuidade em Portugal: acolhimento do Coro Sinfónico da Paraíba em Lamego, em fevereiro de 2026, com participação no processo criativo do aniversário do Teatro Ribeiro Conceição e apresentação pública a 23 de fevereiro de 2026.
A metodologia articulou práticas de dança contemporânea colaborativa, movimento orgânico, composição em grupo, trabalho vocal, ritmo, música ao vivo, memória pessoal e coletiva, imagem, território e improvisação. O processo privilegiou a criação de materiais a partir da experiência dos participantes, trabalhando a presença, a autonomia, a vulnerabilidade, a relação com o grupo e a tradução performativa de memórias individuais e coletivas.
Linhas de ação / componentes
Convocatória comunitária
O projeto iniciou-se com uma open call lançada a partir do Teatro Ribeiro Conceição, aberta à comunidade. Esta convocatória permitiu mobilizar participantes interessados em processos colaborativos, interculturais e comunitários, garantindo que o intercâmbio não fosse apenas uma deslocação artística, mas um processo partilhado desde a sua origem.
Residência de criação
A residência desenvolvida em Lamego entre outubro e novembro de 2025 criou o núcleo artístico do projeto. O trabalho partiu de exercícios de corpo, som, ritmo, fotografia, memória, paisagem e escrita criativa, procurando transformar materiais pessoais e territoriais em composição performativa coletiva.
Criação performativa
A criação cruzou dança colaborativa contemporânea, música, voz, performance ritual e referências culturais associadas a Lamego, ao Entrudo de Lazarim e ao imaginário popular português. O corpo foi trabalhado como território de memória, relação e invenção, em diálogo com a música e com os contextos culturais de Portugal e do Brasil.
Intercâmbio internacional
A deslocação a João Pessoa permitiu ao grupo TRanÇa apresentar o trabalho desenvolvido, contactar com artistas e instituições locais e participar em momentos performativos em parceria com o Coro Sinfónico da Paraíba. Esta componente reforçou a circulação internacional do projeto e abriu novas possibilidades de cooperação cultural luso-brasileira.
Parceria artística com o Coro Sinfónico da Paraíba
A parceria com o Coro Sinfónico da Paraíba introduziu uma dimensão musical e vocal estruturante no intercâmbio. O encontro entre o grupo TRanÇa e o Coro permitiu explorar relações entre movimento, voz, repertório, presença cénica e composição coletiva, prolongando-se depois no acolhimento do Coro em Portugal.
Continuidade em Lamego
Em fevereiro de 2026, o Coro Sinfónico da Paraíba esteve em Portugal e integrou o processo criativo associado ao aniversário do Teatro Ribeiro Conceição. Esta etapa consolidou o intercâmbio como relação de reciprocidade entre territórios, e não apenas como circulação unilateral do grupo português para o Brasil.
Documentação e comunicação
O projeto incluiu uma preocupação com a documentação do processo, a comunicação pública e a criação de materiais para divulgação antes, durante e depois da viagem. Esta dimensão é importante para preservar a memória do intercâmbio, dar visibilidade aos participantes e comunicar o valor artístico e comunitário do projeto.
Públicos e território
O Projeto Além Mar trabalhou com participantes ligados ao TRanÇa, elementos da comunidade de Lamego, artistas, agentes culturais, músicos, performers e públicos dos espaços culturais envolvidos em Portugal e no Brasil. O projeto dirigiu-se também a comunidades locais interessadas em processos de criação participativa, diálogo intercultural e relação entre práticas artísticas contemporâneas e expressões populares.
Em Lamego, o projeto inscreveu-se no trabalho continuado do TRanÇa, reforçando a relação entre o Teatro Ribeiro Conceição, a comunidade e a criação artística participativa. Em João Pessoa, o projeto abriu espaço ao encontro com instituições culturais, artistas e públicos brasileiros, criando uma ponte entre territórios separados pelo Atlântico, mas aproximados pela língua, pela memória, pela música, pela festa e pela performatividade das culturas populares.
A relação com o território não foi apenas geográfica. O processo partiu de imagens, lugares, memórias, ritmos, identidades e paisagens humanas, procurando compreender como cada participante transporta consigo diferentes lugares e como esses lugares podem ser partilhados, transformados e reorganizados em cena.

Parcerias
O Projeto Além Mar envolveu uma rede de entidades culturais e institucionais em Portugal e no Brasil. A formulação institucional exata deve ser validada antes da publicação, sobretudo no que diz respeito aos termos “promotor”, “parceiro”, “entidade financiadora” e “entidade apoiadora”.
Lista de parceiros:
- Município de Lamego: apoio institucional e financeiro à deslocação do grupo TRanÇa ao Brasil; enquadramento municipal do projeto.
- Teatro Ribeiro Conceição: estrutura de acolhimento do TRanÇa em Lamego e contexto de lançamento da open call, residência de criação e apresentação associada ao aniversário do Teatro.
- DCTR – Associação Cultural: produção, coordenação artística, mediação do processo e acompanhamento da metodologia participativa, no âmbito do TRanÇa – Arte em Comunidade.
- Coro Sinfónico da Paraíba: parceiro artístico central no Brasil e em Portugal, com participação em performances e no processo criativo desenvolvido entre os dois territórios.
- Espaço Cultural José Lins do Rêgo e equipamentos culturais de João Pessoa: contexto institucional e territorial de acolhimento no Brasil.
- Associação Quinto Império e referências aos Caretos de Lazarim: contributos artísticos e simbólicos associados à música, ao território e à performance ritual.
Gravação Integral do Espetáculo no Theatro Santa Roza
em João Pessoa
Entidade Coordenadora:

Entidade Financiadora:

Entidades Parceiras:




