
O Escolas Transformadoras é um projeto da DCTR – Associação Cultural que cruza arte, corpo, movimento e aprendizagem socioemocional em contexto escolar. Através de sessões regulares com crianças do 1.º ciclo, em articulação com docentes, famílias e outros agentes educativos, o projeto trabalha competências como o autoconhecimento, a autorregulação emocional, a consciência social, o relacionamento interpessoal e a tomada de decisão responsável.
Depois de uma primeira edição territorial em Lamego, desenvolvida ao longo dos anos letivos 2021/2022 e 2022/2023, o projeto teve continuidade em Armamar no ano letivo 2023/2024.
Hoje, apresenta-se como uma metodologia testada, concluída nas edições realizadas e disponível para nova ativação em diferentes contextos educativos.
Manual do Projeto
O conceito do projeto Escolas Transformadoras consiste na conceção de que os professores e as comunidades são agentes de transformação social. Este visa a integração entre o currículo escolar e o desenvolvimento das competências socioemocionais dos alunos, preparando-os para um futuro num mundo em rápida mudança, em que as soft skills são cada vez mais valorizadas e necessárias, não apenas para o sucesso na vida profissional mas também nas relações interpessoais.





Este projeto decorre em contexto de sala de aula. Esta integração tem como vantagens a redução da carga horária dos professores e da escola, sem sobrecarregar o horário das famílias.
O projeto Escolas Transformadoras pretende ser uma implementação longitudinal que acompanha as crianças do 1º ao 4º ano, uma vez que este tipo de intervenções demonstram ter maior eficácia a longo prazo.



No âmbito deste projeto procuramos proporcionar formação aos pais, professores e outros profissionais que interajam com as crianças no meio escolar, com vista a equipá-los de ferramentas necessárias à modelação e modificação de comportamentos.

A inovação proposta pelo projeto Escolas Transformadoras consiste em trabalhar 3 áreas:
motora, comportamental e emocional.
A nossa metodologia
Este projeto assenta no modelo desenvolvido pela Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning (CASEL, 2012), que tem demonstrado eficácia e que pretende desenvolver nas crianças a autoconsciência e autorregulação emocional, a consciência social, o relacionamento interpessoal e a tomada de decisão responsável.

Autoconsciência Emocional
Ser autoconsciente implica ser capaz de identificar as próprias emoções, pensamentos e a sua influência no comportamento, assim como conseguir avaliar as suas qualidades e limitações e ter um sentido de autoconfiança e otimismo bem desenvolvido.
Consciência social
A consciência social implica ser capaz de se colocar na perspetiva do outro e de ter empatia para com os outros independentemente das suas origens e cultura, implica entender normas sociais e éticas de comportamento e reconhecer a família, escola e os recursos da comunidade como fatores de suporte.
Tomada de decisão responsável
A tomada de decisão responsável define-se como a capacidade para fazer escolhas construtivas e respeitáveis acerca do próprio comportamento e interações sociais, tendo por base padrões éticos, preocupações com a segurança, normas sociais, a avaliação realista de consequências das ações e o bem-estar próprio e dos demais.
Autoregulação emocional
A autorregulação emocional implica ser capaz de regular as próprias emoções, pensamentos e comportamentos em situações diversas. Inclui a gestão do stress, controlo de impulsos, ser capaz de se automotivar e estabelecer, trabalhar e atingir objetivos pessoais e escolares.
Relacionamento interpessoal
O relacionamento interpessoal define-se como a capacidade de iniciar e manter relacionamentos saudáveis e recompensadores com vários indivíduos e grupos.
Resultados
De Janeiro a Dezembro de 2021 o projeto foi implementado em 3 turmas da cidade de Lamego e o gráfico abaixo mostra a comparação entre os dados iniciais e finais dos alunos dessas turmas nos três parâmetros trabalhados: motor, emocional e comportamental:
De um modo geral, foi notória uma melhoria nos três níveis avaliados, sendo que a maior diferença foi ao nível motor, seguido pelo nível comportamental.
Nível motor
A generalidade dos alunos encontrava-se a um nível adequado para a idade, mas precisava de trabalhar mais a coordenação, equilíbrio e, de um modo geral, o movimento livre, competências que foram potenciadas pelo facto do Escolas Transformadoras utilizar metodologias de dança e movimento.

Nível Comportamental
Inicialmente, nas três turmas, foram verificados problemas de comportamento como o desafio à autoridade, não cumprimento de regras e comportamentos desadequados uns para com os outros. Atualmente e de acordo com os dados apresentados, é visível uma melhoria, o que pode ser explicado por uma maior maturidade, por mais tempo em contacto com as regras e pelas sessões do projeto onde esses temas foram abordados.

Nível Emocional
Os resultados não são tão nítidos, o que pode ser explicado por ter sido a primeira vez das crianças a falar sobre emoções, sobre elas próprias e a pensar na forma como determinadas situações as fazem sentir, assim como em formas de lidar com problemas.

Considero o objetivo do projeto muito positivo. As estratégias e técnicas utilizadas estão a ser implementadas de forma consistente. Do ponto de vista da adaptabilidade, julgo que o projeto está de acordo com as necessidades das crianças e está a evoluir de forma positiva.
- Professora
Gosto do jogo das emoções e do cartaz que temos delas no qual colocamos todos os dias como nos sentimos.
- Aluno
Os alunos esperam ansiosamente toda a semana para a vossa aula!
- Professora
Gosto quando estamos todos em roda e a conversar sobre o que sentimos!
- Aluno
Porquê este projeto?
O projeto nasce da necessidade de criar respostas mais consistentes para o desenvolvimento socioemocional das crianças em meio escolar, num contexto em que a avaliação e a organização da escola tendem a privilegiar o desempenho cognitivo e académico, deixando menos espaço para o trabalho continuado sobre emoções, comportamento, cooperação, empatia e autorregulação.
Ao partir do corpo e do movimento como linguagem de aprendizagem, o Escolas Transformadoras responde a problemas concretos observados no terreno: dificuldade em lidar com frustração, comportamentos disruptivos, baixa consciência emocional, fragilidades no relacionamento entre pares e pouca capacidade para resolver conflitos de forma construtiva. Em vez de atuar apenas de forma reativa, propõe uma intervenção preventiva, regular e integrada no quotidiano escolar.
A relevância do projeto foi confirmada pela experiência-piloto. A avaliação realizada em Lamego indicou melhorias ao nível motor, emocional e comportamental, mostrando que o cruzamento entre práticas artísticas e competências socioemocionais pode contribuir de forma concreta para uma escola mais consciente, mais relacional e mais preparada para responder à diversidade dos seus alunos.

Como funciona?
O projeto organiza-se em várias fases articuladas. Num primeiro momento, a equipa contacta com a escola, com docentes e com os restantes agentes educativos para compreender as dinâmicas das turmas, identificar necessidades e recolher informação relevante. Segue-se uma fase de diagnóstico com crianças e famílias, que permite ajustar a intervenção ao contexto específico de cada grupo.
Depois dessa escuta inicial, desenvolvem-se sessões semanais em horário letivo, centradas em jogos, movimento, expressão corporal, reflexão em grupo e articulação com conteúdos escolares. O trabalho segue como referência o modelo CASEL, procurando transformar competências socioemocionais em prática concreta e observável no quotidiano da escola.
O processo inclui também a devolução periódica à comunidade educativa, com relatórios, avaliação do percurso das crianças, envolvimento das famílias e produção de recursos de continuidade. A lógica do projeto é sistémica: não trabalha apenas com a criança, mas com o ecossistema relacional em que ela aprende e cresce.

Linhas de ação / componentes
Diagnóstico e avaliação inicial
Cada implementação começa com um levantamento de necessidades junto da escola, dos docentes, das famílias e das próprias crianças. Esta fase permite compreender características da turma, identificar fragilidades e definir prioridades de intervenção.
Sessões artísticas em contexto de sala de aula
O núcleo do projeto assenta em sessões regulares baseadas no corpo, no movimento, no jogo e na expressão. Estas práticas ajudam as crianças a reconhecer emoções, regular comportamentos, melhorar a relação com os pares e experimentar outras formas de cooperação e pertença.
Articulação curricular e pedagógica
O trabalho é desenvolvido em diálogo com a escola e pode relacionar-se com conteúdos e temas já presentes no percurso pedagógico, reforçando a ligação entre aprendizagem, experiência e vida coletiva.
Envolvimento das famílias
As famílias participam desde o momento de apresentação do projeto e são chamadas a colaborar no diagnóstico, no acompanhamento e na consolidação das competências fora da escola.
Capacitação de docentes e agentes educativos
O projeto inclui uma dimensão de formação e transferência metodológica, reforçando ferramentas para professores e outros profissionais que acompanham as crianças em contexto escolar.
Avaliação, documentação e replicação
A metodologia produz relatórios, instrumentos de observação, materiais pedagógicos e recursos de continuidade, tornando possível sistematizar aprendizagens e preparar futuras adaptações do projeto.
Públicos e território
O público central do Escolas Transformadoras são crianças do 1.º ciclo, sobretudo em fases iniciais da escolaridade, em que se consolidam hábitos de convivência, competências de autorregulação e formas de relação com a escola. O projeto envolve também docentes, famílias e outros agentes educativos, entendendo que a transformação da experiência escolar depende de uma ação em rede.
Territorialmente, o projeto foi desenvolvido em Lamego — com trabalho em Cambres, Penude e CEL / Centro Escolar de Lamego n.º 1 — e em Armamar. Estas implementações permitiram testar a metodologia em contextos concretos e confirmar a sua capacidade de adaptação.
Hoje, o projeto pode ser apresentado como uma metodologia com base territorial e experiência acumulada, preparada para responder a novas realidades educativas, desde que exista uma parceria local comprometida com o seu enquadramento e continuidade.

Parcerias
O projeto foi promovido pela DCTR – Associação Cultural e desenvolvido em parceria com agrupamentos escolares e municípios dos territórios envolvidos. Na edição de Lamego, o trabalho articulou-se com o Agrupamento de Escolas Latino Coelho e com o Município de Lamego. Na edição de Armamar, o projeto contou com a colaboração do Agrupamento de Escolas de Armamar e com o apoio do Município de Armamar.
A DCTR assumiu a conceção metodológica, a coordenação, a implementação, a avaliação e a sistematização do projeto. Nas edições financiadas pelo Fundo Social Europeu, a DCTR assumiu igualmente a qualidade de entidade beneficiária do apoio.
Esta lógica de parceria é central para o projeto: a escola oferece o contexto pedagógico e relacional; o município reforça enquadramento e proximidade territorial; a DCTR assegura desenho, condução e consolidação da metodologia.