Levantar a Pedra para Construir Pontes foi um projeto desenvolvido no Bairro dos Ervideiros, em Esgueira, Aveiro, no âmbito do Programa Bairros Saudáveis. Promovido pela Bela Vista – Centro Educação Integrada, com coordenação indicada na ficha de candidatura pela Universidade de Aveiro e uma parceria local alargada que incluiu a DCTR – Associação Cultural, o projeto respondeu a condições de vulnerabilidade social, isolamento territorial, fragilidades habitacionais, dificuldades de acesso à educação e desafios agravados pelo contexto da crise sanitária e económica.
A intervenção centrou-se na participação ativa de crianças, adolescentes, jovens e mulheres da comunidade, procurando reconhecer a sua voz, reforçar redes de apoio e construir novas formas de relação entre o bairro, a escola, os serviços públicos, os parceiros e a cidade. A DCTR integrou o projeto como entidade parceira, com intervenção em oficinas de dança, mediação artística e expressão corporal.
A dimensão artística e socioeducativa do projeto integrou práticas de teatro do oprimido, dança, vídeo participativo, expressão plástica, fóruns comunitários, fotografia, genealogia familiar, criação coletiva em torno do território e momentos de partilha comunitária, como o “arroz colaborativo”.
Porquê este projeto?
O projeto nasceu da necessidade de responder às condições vividas por crianças, adolescentes, jovens e mulheres do Bairro dos Ervideiros, num contexto marcado por isolamento social, fragilidade socioeconómica, interrupção de percursos escolares e formativos, precariedade habitacional, degradação de espaços comuns e dificuldades de acesso a recursos formais de apoio.
A proposta partiu de uma ideia central: as crianças e adolescentes não devem ser apenas destinatários de respostas sociais, podendo assumir um papel ativo na identificação de problemas, na produção de conhecimento sobre o território e na criação de pontes com a escola, as instituições, os parceiros e a cidade. Este deslocamento de papel — de destinatários para agentes sociais — foi uma das dimensões estruturantes do projeto.
Neste sentido, Levantar a Pedra para Construir Pontes articulou saúde, educação, ambiente, cidadania, participação comunitária e mediação artística, tornando visíveis problemas estruturais e criando condições para que a comunidade pudesse comunicar necessidades, mobilizar saberes e participar na construção de respostas.


Como funciona?
O projeto organizou-se através de uma parceria local alargada, envolvendo entidades das áreas da educação, saúde, ação social, cultura, ambiente, investigação e participação comunitária. A intervenção combinou trabalho regular com crianças e adolescentes, encontros com mulheres da comunidade, ativação de parceiros institucionais, criação de um centro de recursos, oficinas artísticas e comunicacionais, fóruns públicos e ações ligadas à melhoria dos espaços comuns.
As crianças e adolescentes foram investidos no papel de investigadores e agentes promotores da saúde da comunidade. A partir da observação do quotidiano, da construção de narrativas sobre o bairro, da identificação de “pedras” — obstáculos materiais, sociais e simbólicos — e da criação de momentos públicos de partilha, o projeto foi construindo pontes entre o bairro e a cidade.
O I Fórum do projeto, realizado em abril de 2022, marcou um primeiro ponto de chegada desse processo. Teve como protagonistas as crianças e adolescentes do bairro, que partilharam descobertas, fotografias, genealogias, maquetes, ações de cuidado do espaço comum e propostas para um bairro mais saudável. A dimensão comunitária foi reforçada através do “arroz colaborativo”, preparado com contributos das crianças e das famílias, criando um ambiente de encontro, festa e reflexão sobre os passos seguintes.
A mediação artística, incluindo a participação da DCTR através de oficinas de dança, expressão corporal e mediação artística, funcionou como ferramenta de escuta, expressão, presença pública e construção coletiva de novas narrativas sobre o território.
Linhas de ação / componentes
Crianças e adolescentes como agentes de promoção da saúde
Uma componente central do projeto foi a constituição de um grupo de crianças e adolescentes com papel ativo na identificação de problemas, recolha de informação, comunicação com a comunidade e sensibilização para questões de saúde, cidadania e direitos sociais.
Centro de recursos socioeducativo e sociocultural
O projeto desenvolveu um centro de recursos com participação de jovens mediadoras, funcionando como espaço de apoio à aprendizagem, participação social e continuidade de percursos educativos e formativos interrompidos ou fragilizados.
Oficinas artísticas, dança e expressão corporal
A intervenção integrou oficinas de teatro do oprimido, dança, expressão corporal, vídeo participativo e expressão plástica. A DCTR participou nesta dimensão através de oficinas de dança, mediação artística e expressão corporal, contribuindo para a valorização do corpo, da presença, da expressão e da comunicação das crianças e jovens.
Mediação artística e comunicação participativa
A mediação artística foi usada como instrumento de participação, escuta e construção de narrativas. Fotografias, vídeos, maquetes, genealogias, textos, notícias e objetos produzidos pelas crianças ajudaram a tornar visíveis as suas leituras do bairro e as suas propostas de transformação.
Encontros com mulheres e valorização de saberes comunitários
O projeto promoveu encontros com mulheres da comunidade, partindo do trabalho realizado pelas crianças para reativar saberes de vida, memórias, competências práticas e recursos de conhecimento adquiridos em percursos escolares, formativos, familiares, profissionais e comunitários.
Cuidado dos espaços comuns, horta e jardim
A dimensão ambiental e comunitária integrou ações ligadas à horta, ao jardim, ao ecoponto, à reutilização de materiais e à melhoria dos espaços comuns. Esta linha de ação relacionou saúde, alimentação, ambiente, cuidado e pertença ao território.
Fóruns comunitários e diálogo com a cidade
Os fóruns foram pensados como espaços de comunicação entre crianças, mulheres, famílias, parceiros e instituições. Através de exposições, fotografia, vídeos participativos, textos, genealogias, maquetes e práticas de partilha, o projeto procurou tornar visíveis problemas e possibilidades, reforçando a relação entre o bairro e a cidade.
Documentação, notícias e memória do processo
O projeto gerou registos públicos no Jornal dos Bairros Saudáveis, incluindo notícias sobre as ideias e participação das crianças, o I Fórum, o “arroz colaborativo” e a celebração das “pedras soltas” e das novas pontes na cidade. Estes registos ajudam a documentar o processo e a evidenciar a centralidade da participação das crianças e jovens na construção de pontes sociais.
Públicos e território
O projeto trabalhou com crianças, adolescentes, jovens, mulheres, famílias e outros membros da comunidade residente no Bairro dos Ervideiros, em Esgueira, Aveiro. O território foi identificado na candidatura como um bairro habitado por uma comunidade cigana, com forte presença de crianças e jovens e com condições de vida atravessadas por vulnerabilidades acumuladas.
A intervenção teve uma relação direta com as condições concretas do lugar: acesso à escola, mobilidade, segurança dos percursos, habitação, saúde, alimentação, espaço público, recolha de lixo, relação com serviços e perceção de isolamento face à cidade. Ao partir da experiência quotidiana das crianças e mulheres, o projeto procurou construir uma leitura situada do território e ampliar a capacidade de participação da comunidade.
Na comunicação pública, recomenda-se uma linguagem cuidadosa, centrada em direitos, participação, cidadania, território e reconhecimento, evitando formulações que possam estigmatizar a comunidade ou reduzir o bairro às suas carências.

Parcerias
Levantar a Pedra para Construir Pontes foi promovido pela Bela Vista – Centro Educação Integrada, no âmbito do Programa Bairros Saudáveis tendo a Universidade de Aveiro com papel de coordenação do projeto.
A DCTR – Associação Cultural integrou a parceria como entidade parceira, com execução de atividades de oficinas de dança, mediação artística e expressão corporal. A sua participação situou-se na interseção entre prática artística, expressão do corpo, participação comunitária e relação com crianças e jovens do bairro.
A parceria reuniu entidades públicas, educativas, sociais, culturais, ambientais, académicas e comunitárias.
Lista de parceiros:
- Bela Vista – Centro Educação Integrada
- Junta de Freguesia de Esgueira
- Agrupamento de Escolas de Esgueira
- AEVA – Associação para a Educação e Valorização da Região de Aveiro
- Mon Na Mon – Associação de Filhos e Amigos da Guiné-Bissau
- DCTR – Associação Cultural
- Universidade de Aveiro
- Unidade de Saúde Pública
- Instituto Paulo Freire de Portugal
- Casa da Esquina
- Associação Cultural e Recreativa de Vale Domingos
- Cáritas Diocesana de Aveiro
- EAPN – Rede Europeia Anti-Pobreza / Portugal
- ADACE – Associação de Defesa do Ambiente de Cacia e Esgueira
Entidade Coordenadora:

Entidades Parceiras:





