Dança para a Inclusão

Acrónimo do projeto:

Dança para a Inclusão

Ref. projeto:

N/A

Inicio do projeto:

01/10/2021

Fim do projeto:

30/11/2022

Tópicos:

O Dança para a Inclusão foi um projeto coordenado pela DCTR – Associação Cultural, desenvolvido em Aveiro no âmbito dos Prémios BPI “la Caixa” – Capacitar 2021, com apoio da Fundação BPI e da Fundação “la Caixa”, e focado na promoção da inclusão social e da qualidade de vida de crianças, jovens e adultos com deficiência através da dança inclusiva. Em articulação com entidades parceiras do território, o projeto combinou capacitação de técnicos, sessões regulares de dança inclusiva e ações de sensibilização, criando contextos de encontro entre pessoas com e sem deficiência. A DCTR assumiu o lugar de promotor, coordenador e entidade implementadora do projeto, afirmando a dança como ferramenta artística, relacional e emancipatória, para além de uma lógica estritamente terapêutica.

Manual do projeto

Porquê este projeto?

O projeto nasce do reconhecimento de um problema persistente: a exclusão social, cultural e artística de pessoas com deficiência e a dificuldade de acesso, em condições de igualdade, a atividades culturais, recreativas e desportivas. A candidatura enquadra esta necessidade com base no Diagnóstico Social e Plano de Desenvolvimento Social do Município de Aveiro, sublinhando que a discriminação, os estereótipos e a prevalência de respostas assistencialistas continuam a limitar a participação plena destas pessoas na vida comunitária.

Perante este contexto, o Dança para a Inclusão propôs uma resposta que não se limita à reabilitação nem à ocupação, mas que trabalha a participação cultural, a expressão, a criação e a relação com o outro. A lógica do projeto assenta na ideia de que a dança pode contribuir simultaneamente para o bem-estar, a autoestima, a autonomia, a comunicação e a construção de laços sociais, sobretudo quando junta pessoas com e sem deficiência num mesmo espaço de prática.

Faz sentido no território porque responde a necessidades identificadas pelas organizações parceiras em Aveiro: mais oportunidades de participação artística, mais experiências não exclusivamente terapêuticas, maior integração social e maior valorização das capacidades criativas e motoras dos participantes. O projeto posiciona-se, assim, na interseção entre arte, inclusão e cidadania cultural.

Como funciona?

O Dança para a Inclusão estruturou-se a partir de três eixos complementares: capacitação de profissionais, sessões semanais de dança inclusiva e ações de divulgação e sensibilização. Na candidatura, estavam previstos dois workshops de formação para técnicos e terapeutas das entidades parceiras, quatro sessões semanais de dança inclusiva com diferentes grupos e um trabalho continuado de comunicação pública do projeto e dos seus resultados.

A metodologia de trabalho colocou em relação participantes com e sem deficiência, explorando a dança como prática de encontro, expressão e experimentação. O manual de boas práticas descreve uma abordagem assente na escuta ativa e empática, no estímulo da coordenação motora, na exploração de princípios elementares do movimento e na criação de um ambiente de liberdade e descoberta. A organização das sessões incluía aquecimento, revisão de ideias anteriores, introdução de novas narrativas, experimentação, improvisação e retorno à calma.

A avaliação do projeto mostra que esta metodologia produziu evolução em áreas como comunicação, participação, bem-estar, autonomia, autoconhecimento, coordenação, consciência espacial, liberdade criativa e espontaneidade gestual, reforçando a pertinência de uma abordagem artística continuada e adaptada aos diferentes perfis dos participantes.

Linhas de ação / componentes

Capacitação de profissionais

O projeto incluiu workshops de dança inclusiva dirigidos a técnicos e terapeutas das organizações parceiras, com o objetivo de melhorar a qualidade da intervenção e sensibilizar os profissionais para a importância de criar atividades partilhadas entre pessoas com e sem deficiência.

Sessões regulares de dança inclusiva

O núcleo central do projeto foi composto por sessões semanais com diferentes grupos, organizados por perfis e faixas etárias. Estas sessões trabalharam movimento, relação, improvisação, coordenação, presença em grupo e expressão individual, criando uma prática continuada e situada no corpo.

Criação artística e liberdade expressiva

A proposta não reduziu a dança a um instrumento funcional. Pelo contrário, valorizou a criação, a improvisação, a experimentação com materiais e a construção de narrativas, permitindo que cada participante encontrasse modos próprios de se expressar.

Mediação e sensibilização comunitária

O projeto integrou também ações regulares de divulgação e sensibilização, orientadas para a comunidade e para o setor social, com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre o projeto, reforçar a empatia e combater preconceitos associados à deficiência.

Documentação e disseminação

A produção de um Manual de Boas Práticas foi assumida como resultado estruturante do projeto, permitindo sistematizar a metodologia, os referenciais de enquadramento, a abordagem de trabalho e o impacto alcançado.

Avaliação e aprendizagem

A avaliação foi integrada ao longo do processo, combinando observações mensais, questionários a famílias e parceiros e momentos de autorreflexão com os próprios participantes.

Públicos e território

O projeto foi desenvolvido na cidade de Aveiro e dirigiu-se sobretudo a crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual, física ou multideficiência, identificados e acompanhados pelas organizações parceiras. A metodologia incluiu também participantes sem deficiência, integrados nas sessões de dança inclusiva, bem como técnicos e terapeutas das instituições envolvidas.

A relação com o território foi central desde o desenho do projeto: as necessidades foram identificadas com organizações locais que trabalham diretamente com pessoas com deficiência, e a resposta foi construída em articulação com essas entidades. Para além dos beneficiários diretos, o projeto envolveu também famílias, profissionais, estruturas parceiras e a comunidade aveirense, ampliando o seu impacto para além do estúdio.

Parcerias

O Dança para a Inclusão foi promovido pela DCTR – Associação Cultural, em parceria formal com APPACDM de Aveiro, APAH – Associação Pais e Amigos Habilitar, CERCIAV, Centro Social e Paroquial da Vera Cruz e Pais em Rede – Aveiro. Esta rede permitiu articular competências artísticas, acompanhamento técnico, conhecimento dos públicos e enraizamento territorial.

A DCTR assumiu a promoção, a coordenação global e a implementação do projeto. As entidades parceiras contribuíram com mediação institucional, acompanhamento dos participantes, proximidade aos públicos e apoio à concretização das atividades, tornando possível uma resposta mais ajustada e consistente.

Com o apoio de: