A temporada 2025/2026 do TRanÇa corresponde a uma fase de transição e aprofundamento do projeto, reforçando a sua vocação enquanto dispositivo de criação, educação e mediação artística inserido no Centro de Educação e Mediação do Teatro Ribeiro Conceição (TRC) e enraizado no território de Lamego.
Depois de um percurso longo assente na formação regular em dança, em apresentações públicas, em residências e em práticas abertas à comunidade, esta temporada assume de forma mais clara uma transformação do projeto num programa que articula formação, investigação, mediação, criação e performance.
O propósito central é consolidar o TRanÇa como um projeto artístico de base comunitária capaz de responder às necessidades do território, de reforçar a relação entre o teatro e a cidade e de dar maior espessura artística, pedagógica e relacional ao trabalho desenvolvido com os participantes.
Esta orientação procura deslocar o foco do projeto de uma lógica exclusivamente formativa para uma
lógica integrada, em que os processos de participação, criação e mediação se alimentam mutuamente.

Objeto e orientação da temporada

O TRanÇa desenvolve, ao longo de uma temporada de 9 meses (outubro a junho), um trabalho regular de educação artística, criação, mediação e performance com diferentes grupos de participantes, cruzando a dança com outras linguagens das artes performativas e visuais. Assente numa lógica de experimentação, participação e criação coletiva, o projeto promove o contacto com práticas artísticas contemporâneas, valorizando o processo criativo, a relação com o território e a diversidade de experiências dos participantes.
Na temporada 2025/26, o TRanÇa trabalhou a partir da ideia de ‘memória’ e utilizou o objeto da fotografia como ponto de partida para a criação, mote do processo artístico e educativo central da temporada. Em simultâneo, foi desenvolvido um trabalho de mediação com diferentes propostas para aproximação às linguagens, objetos, espetáculos, artistas e atividades desenvolvidas com participantes e parceiros.
De forma paralela ao processo artístico e de mediação, o TRanÇa manteve durante a temporada outros eixos fundamentais do seu trabalho ao longo dos últimos 15 anos: a formação regular em danças sociais, com o grupo Compasso, e a realização de Residências Artísticas regulares e pontuais.
Públicos e participantes
A temporada 2025/26 dirigiu-se a diferentes grupos etários e perfis de participação, mantendo a base regular do projeto e procurando alargar a relação com a comunidade.
O programa inclui a participação de público infantil, jovem, adulto e sénior. A diversidade de idades, experiências e níveis de envolvimento é entendida como um valor estruturante do projeto, permitindo trabalhar o cruzamento entre saberes, práticas e formas de presença através da exploração do movimento e da dança.

Linhas de ação da temporada
- Processo Artístico – Educação Artística e Mediação
- Formação Regular – Danças Sociais
- Residências Artísticas
1. Processo Artístico - Educação Artística e Mediação
Investigar e Criar a partir da ideia de memória e da fotografia
Eixo central da temporada, este trabalho de investigação artística, criação, educação e mediação foi desenvolvido semanalmente, ao longo de 9 meses, com os grupos Raíz, Trama, Fio e Memória Viva. Orientados por uma equipa de 5 artistas-formadores, os grupos trabalharam de forma interdisciplinar e intergeracional, num processo coletivo que originou a criação de dois objetos artísticos: uma publicação física e um espetáculo.
Desenho e metodologias de trabalho
Investigar e criar a partir da ideia de memória e de território foi o ponto de partida para o desenho deste programa de educação artística, que partiu da recolha de fotografias antigas da cidade e de habitantes de Lamego para as trabalhar através da dança, do corpo, do movimento, do som, das artes plásticas e da narrativa real e ficcionada. As metodologias de trabalho combinaram experimentação e formação técnica, recolha e tratamento de materiais, trabalho de campo, registo, criação, interpretação, gravação, ensaio e trabalho de palco.
- ‘O que é uma fotografia? O que vemos nela? Que histórias conta? Dá para dançar?’
- ‘Como se cria uma coreografia? Que processo está por trás das criações coreográficas que vemos nos espetáculos?’
Foram sendo levantadas estas e outras perguntas ao longo de todo o processo, para guiar o trabalho de cada grupo e do coletivo. E, como em qualquer trabalho de investigação, criativa ou não, cada participante foi caminhando com o seu Diário de Bordo – um caderno pessoal em que, no final de cada sessão semanal, se registavam os passos deste processo com orientação dos formadores.
Fases de desenvolvimento
Fase 1 – Recolha e Experimentação Técnica
[Outubro-Dezembro]
- Recolha de fotografias antigas da cidade e de álbuns de família.
- Trabalho de experimentação técnica nas linguagens do movimento/dança, som/música e artes visuais/plásticas.
- Trabalho de exploração e interpretação a partir das fotografias recolhidas.
- Primeiras criações coreográficas, sonoras e visuais e primeiras partilhas entre grupos, participantes e famílias.

Fase 2 – Trabalho de Campo e Criação
[Janeiro-Março]
- Selecção de fotografias para criações coreográficas, sonoras e visuais.
- Trabalho de campo e criações site-specific para os locais das fotografias selecionadas.
- Gravações dos resultados dos primeiros estudos coreográficos, sonoros e visuais para o Caderno de Viagem.
[Abril]
- Criação e edição do «Caderno de Viagem».
- Montagem coletiva do caderno, zinado à mão pelos participantes.

Fase 3 – Criação para Palco e Espetáculo
[Abril/Maio-Junho]
- Adaptação dos estudos artísticos a partir das fotografias para palco.
- Criação e apresentação do espetáculo final.

Propostas Simultâneas
O desenvolvimento deste trabalho foi acompanhado por propostas complementares de mediação ao longo da temporada, permitindo aos participantes conhecer dinâmicas de trabalho e de criação artística contemporâneas, alargar sensibilidades enquanto público e artistas e desenvolver ferramentas para a sua própria prática. Este processo foi contínuo e foi promovida também a ida regular a espectáculos de dança e multidisciplinares, dentro e fora do Teatro Ribeiro Conceição, bem como o contacto e conversas com artistas que apresentaram o seu trabalho através da programação do TRC. O contacto com estas propostas foi alargado através das famílias, que acompanharam estas atividades e se propuseram a ser também público assíduo de espetáculos e exemplo de participação para os mais novos.

Objetos Artísticos
O processo artístico da temporada 2025/26 resultou na criação de dois objetos artísticos partilhados com o público:
1. Publicação física – «Caderno de Viagem»
editado em Abril, com direção de Filipe Marado e Matilde Andrade
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Pode ser consultado por todos os interessados na DCTR (em Aveiro) e no Teatro Ribeiro Conceição – TRC (em Lamego).

2. Espetáculo – «de mão em mão»
estreado a 27 junho 2026, no TRC, com direção de Mafalda Cardoso

Equipa Artística
Desenho e Coordenação de projeto
Filipe Marado (TRC) e Matilde Andrade (DCTR)
Produção e Mediação
Matilde Andrade
Artistas-Formadores
Helena Xavier (artes visuais/plásticas)
Joana Cardoso (movimento/dança)
João Pereira (som/música)
Mafalda Cardoso (movimento/dança)
Apoio
José Eduardo Cardoso
Fotografia e Gestão Redes Sociais
Miguel Gouveia
2. Formação Regular - Danças Sociais

Grupo Compasso
Eixo paralelo da temporada, que permitiu continuar a dar resposta a um trabalho de formação específica de dança procurado por adultos interessados em danças sociais e de salão. Este trabalho manteve continuidade ao longo dos 9 meses da temporada, com sessões semanais na sala de ensaios do Teatro Ribeiro Conceição e foi acompanhado por sessões de mediação e escuta nos primeiros 3 meses, orientadas para refletir sobre o espaço próprio desta linguagem artística no seio do projeto.
Formadores
André Marques
Fernando Nogueira
Joana Santos
3. Residências Artísticas
Trabalho intensivo de criação, formação e experimentação artística
Eixo de ação estruturante nas temporadas do TRanÇa como espaço de experimentação artística em regime intensivo, abrindo espaço para novas criações, formatos e linguagens de trabalho. Na temporada 2025/26, o TRanÇa realizou 2 residências artísticas regulares (dezembro 2025 e junho 2026) e uma pontual em território internacional (novembro).


3.1. Além Mar - Residência Artística em Intercâmbio Internacional
[Novembro 2025]
Residência artística pontual para o projeto «Além Mar», uma iniciativa de cooperação cultural e artística que promoveu o intercâmbio entre Lamego e João Pessoa, no Brasil, em articulação com os municípios de ambas as cidades.
O trabalho artístico foi desenvolvido através da relação com os territórios envolvidos e os seus pontos de contacto, partindo de imagens, lugares, memórias, ritmos, identidades e paisagens humanas, procurando compreender como cada participante transporta consigo diferentes lugares e como esses lugares podem ser partilhados, transformados e reorganizados em cena.
Equipa e Direção Artística
André Marques (DCTR) e Filipe Marado (TRC)
3.2. XI Residência Artística de Lamego
[Dezembro 2025]
Residência artística regular do projeto TRanÇa, promovida anualmente no Teatro Ribeiro Conceição com o propósito de estimular a experimentação e a criação artísticas num formato intensivo através da dança, do teatro e de outras ferramentas das artes do espetáculo contemporâneas, de forma interdisciplinar. Num contexto de palco, a residência tem duração de 5 dias e culmina com uma apresentação final aberta ao público. Na temporada 2025/26, o trabalho partiu dos materiais de investigação utilizados no Processo Artístico central – fotografias antigas da cidade.
Equipa
Catarina Luís (movimento/dança)
Inês Garrido (teatro)


3.3. TRanÇa em Movimento
[Junho 2026]
Residência artística regular do projeto TRanÇa promovida anualmente após o final das atividades semanais da temporada com o propósito de oferecer um espaço de experimentação artística em diferentes contextos. Na temporada 2025/26, a residência foi realizada em parceria com a estrutura Oficina Zero, no contexto da sua residência e apresentação de um espetáculo de dança no Teatro Ribeiro Conceição. Os participantes do TRanÇa foram convidados a acompanhar e integrar os trabalhos do grupo da Oficina Zero durante 2 dias intensivos, culminando numa performance pública no exterior do teatro.
Equipa
Mafalda Deville (Oficina Zero)
Parceiros:







