Dança para a Inclusão – Movimento em Foco é um projeto promovido pela DCTR – Associação Cultural e desenvolvido em Aveiro no âmbito do PARTIS & Art for Change III, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação “la Caixa”. Concluído enquanto ano piloto em dezembro de 2025, o projeto trabalhou a inclusão social e cultural através de práticas de criação artística participativa que articularam dança, fotografia, assembleias comunitárias inclusivas e apresentações públicas. Esta fase resulta de um percurso anterior da DCTR na área da dança inclusiva, afirmando-se, porém, como uma continuação e evolução metodológica, e não como o mesmo projeto.
Porquê este projeto?
O projeto nasce da necessidade de criar, em Aveiro, oportunidades consistentes de participação artística e cultural para pessoas com deficiência, sem limitar essa participação a contextos exclusivamente terapêuticos ou separados da comunidade. O ano piloto procurou responder a essa necessidade através de um dispositivo que coloca a criação artística no centro do processo de inclusão, valorizando o corpo, a imagem, a relação com a cidade e a autoria dos participantes.
A proposta parte do princípio de que todos os corpos, identidades e experiências podem constituir matéria artística válida. Nesse sentido, a dança e a fotografia foram mobilizadas como linguagens complementares: a dança como prática de pesquisa corporal, relacional, sensitiva e expressiva; a fotografia como instrumento de descoberta, observação, registo e visibilidade das narrativas criadas. O projeto procurou, assim, ampliar a presença cultural de pessoas com e sem deficiência e reforçar a sua participação na vida coletiva do território.
Os materiais produzidos ao longo do piloto mostram ainda que o projeto teve relevância não apenas artística, mas também social: reforço da autoestima, do sentido de pertença, da confiança, da expressão e da convivência entre participantes, bem como maior visibilidade pública da inclusão cultural no contexto local.


Como funciona?
O ano piloto estruturou-se em quatro eixos metodológicos interligados: Assembleias Comunitárias Inclusivas, Oficinas de Dança Inclusiva, Oficinas de Fotografia Inclusiva e Processos de Criação e Apresentação Pública. Estes eixos funcionaram em diálogo permanente, alimentando-se mutuamente ao longo de 2025.
No primeiro semestre, o trabalho incidiu sobretudo na integração do projeto no território, no fortalecimento das relações com parceiros locais e na criação de condições de confiança, participação e aprendizagem técnica. No segundo semestre, o processo evoluiu para uma fase de co-criação mais autoral, culminando numa exposição fotográfica e num espetáculo de dança-performance apresentados publicamente em Aveiro.
A documentação metodológica destaca a co-criação colaborativa, a centralidade da experiência vivida, a horizontalidade relacional, a adaptação contínua e a valorização do processo acima do resultado como princípios estruturantes. O relatório final, por sua vez, evidencia que o projeto alcançou de forma globalmente positiva os objetivos definidos, embora identifique desafios ao nível da mobilização de pessoas sem deficiência, da adesão às assembleias e da necessidade de reforço de recursos humanos em contextos inclusivos.
Linhas de ação / componentes
Assembleias Comunitárias Inclusivas
As assembleias foram pensadas como espaços de escuta, reflexão e tomada de decisão coletiva, permitindo discutir temas ligados à inclusão, à deficiência, à relação com a cidade e ao papel da arte. Ao longo do piloto, o modelo foi sendo ajustado, tornando-se mais eficaz quando articulado com momentos públicos e conversas pós-apresentação.
Oficinas de dança inclusiva
A dança constituiu a prática artística central do projeto. As oficinas semanais trabalharam consciência corporal, confiança, improvisação guiada, relação corpo–espaço–outro, tradução de narrativas pessoais em material coreográfico e composição de espetáculo, afirmando o corpo e o movimento como principais agentes de expressão, interação e presença pública.
Oficinas de fotografia inclusiva
A fotografia funcionou como extensão do olhar sobre o corpo, a cidade e as relações construídas no projeto. As oficinas incluíram aprendizagem técnica, exploração estética, trabalho em grupo e individual, alternância de papéis entre fotografar e ser fotografado, uso do espaço público como lugar de criação e desenvolvimento de consciência de autoria na preparação da exposição final.
Criação e apresentação pública
No segundo semestre, o projeto transitou de uma lógica mais exploratória e formativa para uma dinâmica de criação colaborativa orientada para apresentação pública. Desta fase resultaram a exposição “Nós e a Cidade” e o espetáculo de dança-performance “Partilhar, Sorrir, Desafiar”, ambos apresentados no Mercado Manuel Firmino, em Aveiro. O processo incluiu ainda uma versão adaptada do espetáculo, apresentada a convite num seminário sobre inclusão.
Avaliação, reflexão e sistematização
A avaliação foi contínua, combinando observação da equipa artística e de gestão, feedback informal dos participantes, instrumentos de avaliação externa e momentos de reflexão coletiva. Esta dimensão de avaliação e sistematização deu origem, entre outros materiais, ao Relatório Final e ao Modelo Metodológico e Sistematização de Práticas – Ano Piloto, que importa disponibilizar na página como recursos de aprofundamento.
Públicos e território
O projeto trabalhou com pessoas com e sem deficiência, envolvendo também técnicos das entidades parceiras, familiares e comunidade local. A relação com o território foi estruturante desde o início: a cidade de Aveiro não surge apenas como cenário, mas como matéria viva do processo, atravessando oficinas, percursos, fotografias, relações e apresentações públicas.
As práticas decorreram em diferentes espaços da cidade e em articulação com várias entidades locais, reforçando a ligação entre criação artística, acessibilidade cultural e participação comunitária. A proposta procurou, assim, ampliar a presença de corpos diversos na vida cultural da cidade e reforçar o reconhecimento dos participantes enquanto criadores e agentes culturais.

Parcerias
A DCTR assumiu a promoção, coordenação e implementação do projeto, articulando uma rede de parceiros sociais, comunitários, culturais, de avaliação e de comunicação. No desenvolvimento do ano piloto, o projeto envolveu a Câmara Municipal de Aveiro, a Casa Vera Cruz / CLAIM, a 4iS, a Mon Na Mon, o Diário de Aveiro, a CERCIAV, a APPACDM, a ACAPO e a AAUAv.
No conjunto, estas parcerias contribuíram de formas diferenciadas para a mobilização de participantes, o acompanhamento técnico, a disponibilização de espaços, a avaliação, a comunicação e a relação com a comunidade. Para a página pública, poderá fazer sentido manter uma apresentação institucional unificada da rede de parceiros, sem excessiva hierarquização, reservando eventual distinção de níveis de envolvimento para uso interno.
Financiado por:

Com o apoio de:





